Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011
Não sei quantas almas tenho
"Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu." Fernando Pessoa
Fotografias: Martinho Mendes
Sábado, 22 de Outubro de 2011
Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011
Corações (Begonia aconitifolia)
Sábado, 1 de Outubro de 2011
Terça-feira, 2 de Agosto de 2011
Quinta-feira, 7 de Julho de 2011
Vergissmeinnicht
Revisitei recentemente o National Gallery de Londres. Desta vez, passei umas três horas inteiras observando apenas uma das alas do museu que apresenta pintura do século XV e XVI do norte da Europa.
Calmamente, já sem o apetite sôfrego e ansioso de outros tempos, parei para observar com mais atenção, uma época fascinante da pintura ocidental.
De todos os quadros que fruí desta vez, houve um que me prendeu o olhar. Trata-se de um retrato feminino de autoria desconhecida. Segundo a legenda, é uma pintura de cerca de 1470 de um mestre desconhecido da região sul da Alemanha. O retrato em questão apresenta-nos uma mulher que segura nas mãos um ramo de miosótis, uma planta que surge com a simbologia da 'relembrança' e foi usada/eternizada séculos depois, entre muitas outras flores, por John Everett Millais na representação da 'Morte de Ofélia'.
Não tenho dúvidas nenhumas que só consigo envolver-me mais profundamente com determinadas obras quando elas tocam directamente no universo das minhas experiências e memórias.
O ramo de miosótis prendeu-me ao retrato daquela mulher como se a pintura funcionasse como uma janela que me transportou para um passado recente, vivido exactamente na Alemanha meses antes , e onde, pela primeira vez, eu vira estas flores (selvagens e ornamentais), envolvendo-me com elas , segundo atitudes próximas de um misto entre aprendiz de botânico recolector e um performer amador que, usando o seu corpo, reinterpretava e subvertia códigos de algumas pinturas que trazia na cabeça.
Pintura e pormenor do retrato observado em Junho de 2011 na National Gallery de Londres.
Os miosótis na Alemanha.
Gosto de reflectir sobre as coincidências, se é que elas existem.
Em Londres os meus olhos ficaram reféns momentâneos de um retrato pintado na Alemanha porque a figura retratada apresentava um ramo de flores que eu tinha visto, pela primeira vez, dois meses antes, exactamente na Alemanha.
Segundo a legenda, estas flores na mão daquela mulher funcionam como uma mensagem, um apelo a que ela não caísse no esquecimento, em vida ou depois da sua morte já que a mosca, representada sobre a sua cabeça, é símbolo de mortalidade.
Qual a ilação desta associação? Não esquecer o passado enquanto vivo for.
Em Londres os meus olhos ficaram reféns momentâneos de um retrato pintado na Alemanha porque a figura retratada apresentava um ramo de flores que eu tinha visto, pela primeira vez, dois meses antes, exactamente na Alemanha.
Segundo a legenda, estas flores na mão daquela mulher funcionam como uma mensagem, um apelo a que ela não caísse no esquecimento, em vida ou depois da sua morte já que a mosca, representada sobre a sua cabeça, é símbolo de mortalidade.
Qual a ilação desta associação? Não esquecer o passado enquanto vivo for.
É curioso o fenómeno de leitura e interpretação de uma obra de arte; o processo hermenêutico com que conseguimos, a partir de uma pintura/retrato de mulher anónima, tão longínqua e enigmática, atribuirmos e construímos significados para a compreensão ou reflexão do nosso lugar num mundo , incessantemente oscilante.
Os miosótis, uma planta de pequeníssimas flores azul cerúleo, pertencem a um género de plantas da família das borragináceas e apresenta, aproximadamente, cinquenta espécies, conhecidas em quase todo o mundo como 'Não-me-esqueças'.
Se as tivesse visto alguma vez em Portugal garanto-vos que não me esqueceria. Nos Açores, segundo consta, existe uma espécie rara, única no mundo (Myosotis azorica) que haverei de sentir um dia quando lá for. Aqui na Madeira não consta a sua existência na lista de plantas endémicas. É pena.
Se as tivesse visto alguma vez em Portugal garanto-vos que não me esqueceria. Nos Açores, segundo consta, existe uma espécie rara, única no mundo (Myosotis azorica) que haverei de sentir um dia quando lá for. Aqui na Madeira não consta a sua existência na lista de plantas endémicas. É pena.
O meu primeiro contacto com os miosótis foi, de facto, no sul da Alemanha, na região da Baviera, muito próximo, refira-se, do local onde foi pintado o retrato daquela mulher há mais de 500 anos. O primeiro contacto com esta flor foi na cidade de Munique, com uma espécie silvestre que crescia de nos prados do Palácio de Nymphenburg. Posteriormente, observei uma segunda espécie de Não-me-esqueças (Vergissmeinnicht), combinados com saber e elegância entre outras plantas devidamente identificadas nos jardins da cidade de Nuremberga.
Deitado com a cabeça sobre os miosótis no parque de Nyphenburg.
Dispondo num livro de recolha de plantas um exemplar para o herbário.

Digitalização do espécime recolhido
Os miosótis nos jardins da cidade de Nuremberga.
Quinta-feira, 30 de Junho de 2011
Let's talk about love_Capas de romances dos anos 50
Não é que tenha lido nenhum deles,mas acho que os títulos e as respectivas ilustrações das capas merecem o nosso sorriso lascado.
Decidi digitalizar algumas destas pérolas mofentas, mas ainda garridas.
Decidi digitalizar algumas destas pérolas mofentas, mas ainda garridas.
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